terça-feira, 10 de janeiro de 2012
Sobre Farpas e Calcanhares...
Algumas vezes tenho a sensação de que espiritualmente devo ser um tipo de "Pop Star" destinada a coisas grandes, pois cada vez que sinto a vida seguindo por um caminho legal vem uma mão invisível e joga algum tipo de armadilha no meu caminho.
Não sou o tipo de pessoa que guarda mágoas, embora eu tenha todos os motivos do mundo, para isso. Aqui e ali escrevo umas das coisas que me aconteceram porque sou, em primeiro lugar, uma contadora de estórias. Não minto quando digo que apesar de tudo tenho amor pelo meu ex-marido, quero o bem dele e que seja feliz. Isso não apaga a estrada que trilhamos, mas abre o meu caminho e renova as esperanças de que o futuro será melhor.
Não sei lidar com mágoa. Não sei ficar com o coração ferido e pensar em outra coisa. Esse sentimento me incomoda, é como uma farpa. A farpa fica presa a sua pele é um corpo estranho que está ali ligado ao seu ao seu e incomoda. É por isso que dói tanto,para chamar a atenção de que ali não pode ficar.
É aquela dor fina da espetada.
É a agonia de vê-lo alojado ali.
É o latejar da pele gritando desesperada "Tira esse estranho daqui!"
Quando a farpa entra em mim eu tiro imediatamente. Por mais que me doa. A experiência me ensinou isso.
Quando a farpa entra na pele do meu filho ele faz um escândalo como se tivesse sido atravessado por uma espada e não confia em mim o bastante para me deixar tirar. Na última vez tive que imobiliza-lo num golpe de jiu-jitsu para conseguir arranca-la do dedo dele.
Hoje foi a minha vez.
Uma farpinha de nada...
Uma feridinha de nada...
Uma coisinha tão estupidamente insignificante que uma pessoa mais experiente teria tirado sozinha sem grandes traumas.
Mas StellaR aqui enfrenta o fogo, fraturas, perseguições, desaforos, abandono, morte mas quase morre por uma mágoazinha...
Mentiram para mim. Abusaram da minha confiança, da minha boa vontade, da minha amizade e quando eu descobri, não aguentei. E eu aguento muita coisa. Acho que sou Aquiles, praticamente à prova de tudo mas meu calcanhar...
E o meu calcanhar de Aquiles foi a mentira do melhor amigo.
Foi olhar para o "super-herói" e vê-lo gaguejar, inventar estórias para esconder a própria fraqueza.
É ver o mito cair e no momento da queda estava mais preocupado com a própria imagem de bom moço do que com a ferida que estava causando na pessoa que olhava para ele com toda a fé que há no mundo...
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