terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Um Beijo do Rei...

Número desconhecido. Foi a mensagem que apareceu no visor do meu celular. "Estou aqui fora!" Sabem quanto tempo esperei que aquilo acontecesse? Esperei até não desejar mais. Meu coração não disparou.  Caminhei calmamente até a frente da escola e ele estava lá. O Rei em pessoa. Me olhando com um sorriso bem grande. Não pude deixar de sorrir também. Me deu um abraço de urso que não sabe medir bem a sua força e ficou  me olhando com cara de criança. "Não falei que vinha?" Tive uma crise de riso. Falou que vinha três meses atrás... "Mas eu vim ué..."

Ele trabalha a noite e eu o dia inteiro. Passa a manhã dormindo e a tarde divide seu tempo em treinos, aulas de judô e levando e trazendo a filha da escola. Nunca foi casado, mas é um pai exemplar. Meio doido, nada tradicional, mas exemplar. Tem um relacionamento lindo com a filha. Nunca tínhamos tempo um para o outro, mas eu sempre dava um jeito de encaixa-lo na minha vida, só que ele cansou de me trocar pela cama. Sozinho ou acompanhado, quem sabe? Na última vez falou que vinha, esperei e ao invés de pegar o telefone e desmarcar preferiu se esconder para não levar uma bronca. Comportamento de menino e eu achei melhor esquecer... Senti falta dele. Gostava ainda, mas de que adiantava continuar com aquilo se ele não nos levava a nada?

Enquanto isso, fui tocando a vida. Até que um dia conheci outra pessoa. E já não sentia mais falta do Rei. Não doía mais pensar nele. A lembrança dele foi se apagando da minha memória até desaparecer completamente... E então eu me vejo gostando de verdade desta outra pessoa. E me vejo na mesma trama de desencontros que havia com o Rei. Era assim que eu estava quando ele apareceu  na minha porta.

Sentou ao meu lado e eu fiquei olhando nos olhos dele. Estava feliz em vê-lo ali, mas ao mesmo tempo estranha. Ainda acho que ele é o homem mais bonito que já vi na vida. E uma das coisas que mais admiro nele é a capacidade de rir mesmo quando tudo vai mal. Se estou triste ele me dá um sacode fala alguma besteira e em instantes estou rindo alto. Ele não é o tipo de pessoa para quem posso contar os meus problemas e pedir uma opinião... Fala que tudo vai se resolver e muda de assunto.

Sentamos lado a lado e ele ficou falando sobre como dessa vez seria diferente e os novos planos que tinha para a vida profissional. Que me queria ao lado dele, que nenhuma outra poderia ocupar esse espaço. Disse que me amava... e eu comecei a ficar nervosa. Eu estava sozinha, não tinha compromisso com ninguém mas meu coração tinha outra pessoa. E eu acho que ele viu isso nos meus olhos, porque ficou um pouco sério e falou, "Você esta diferente comigo..." Abri a boca para tentar começar a explicar mas ele segurou meu rosto e me beijou.

Foi bom e ruim ao mesmo tempo. Bom porque era o Rei e eu sonhei tanto com ele... Eu quis tanto que ele viesse e me dissesse todas aquelas coisas que estava falando. E ruim, porque não era a pessoa que meu coração desejava. E do nada me veio a imagem do outro e eu me desvincilhei dele. Tentei falar mais uma vez e ele se pôs de pé e disse: vamos buscar o Lucas na escola? Estou louco pra ver o moleque!

Fomos até a escola de Lucas, passamos no shopping e ele fez algumas das vontades do meu filho, comprou um relógio, fomos para casa passaram a tarde jogando UNO e Jogo da Vida. Lucas adora ele. E todo o tempo ele me olhava com um misto de olhar desapontado e desconfiado. A babá de Lucas chegou e eu fui ate o quarto me arrumar para voltar ao trabalho. Ele me seguiu sem que eu percebesse. Me abraçou e disse: Eu sei que errei e fui um idiota deixando você sozinha tanto tempo, não quero saber o que aconteceu, se você esta com alguem ou não só quero saber de daqui para frente. Eu estou aqui para ficar" Dizendo isso, ele me beijou e dessa vez eu correspondi e pensei que talvez valesse a pena tentar.
"Você vai ter que me reconquistar..."
E meu coração que estava triste por causa daquele que me curou dele, agora esta voltando a ser alegre.
Que coisa louca é a vida.
Hoje pela manhã ele me acordou com um telefonema de bom dia e disse mais uma vez, "Eu te amo..." e tinha um leve tom de acanhamento ao dizer isso... mas eu não pude dizer o mesmo. Pelo menos ainda não...


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