sábado, 10 de dezembro de 2011

Magricela e Politicamente incorreta "Little Mim"

          

  Quando eu era criança acreditava piamente que todo católico ia para o inferno e todo PMDBista também. Pode parecer totalmente irracional para alguns, mas na verdade é algo bastante coerente se visto pelos olhos da maioria evangélica dos anos oitenta. Ora, se Deus disse, “Não tomeis para vós imagens de escultura.” E se o próprio Moisés que segundo a Bíblia viu A Deus face a face, mandou matar as pessoas que dançavam ao redor do bezerro de outro, quem era eu, uma pirralha de sete anos de idade para descordar. Inferno e danação eterna era o que esperavam os católicos brasileiros. Quanto ao PMBD? Minha mãe dizia, “Só tem ladrão! Roubam o povo e ninguém faz nada!” Se minha mãe dizia que roubar era pecado e os políticos do PMDB roubavam... Inferno para todos eles. Foi assim que essa questão se tornou uma obsessão. Algumas vezes me pego escondendo o rosto com as próprias mãos quando me lembro da Stella magricela e banguela perguntando aos coleginhas da escola, “Você tem religião?” “Qual o seu partido?”
            Sei que o meu primeiro parágrafo choca. Católicos e PMDBistas no inferno? Por favor, antes de julgarem o livro pelas primeiras doze linhas, me dêem uma chance de defender a menina que fui. Nasci numa família evangélica. Minha bisavó achou uma Bíblia no lixo, leu e converteu-se. Mandou construir uma igreja na cidade onde morava. Minha família, nessa época, tinha dinheiro. Meu bisavó era fazendeiro e muito rico. Meu avô era o filho mais velho e que de uma forma cambaleante carregou a religião pra os próprios filhos. Quando ele conheceu minha avó, ela vinha de uma família mística. Meu bisavô, seu pai, era espírita. Minha avó Maisa, via coisas que não sabia explicar desde muito pequena. A sua primeira filha, minha tia, morreu aos doze meses. Vovó estava na varanda de casa quando uma mulher apareceu e chamando-a pelo nome, disse: Maisa, vou levar sua filha. Não se preocupe que ela vai estar bem. Vovó começou a gritar e contou ao pai o que vira. Ele pediu que ela descrevesse a mulher e depois chegou a conclusão que era a mãe dele, avó de minha vó, minha tataravô que viera levar a netinha. Nesse caso tudo bem! Minha avó conta que ele ficou calmo e tentou tranqüiliza-la dizendo que a menina seria bem cuidada. Bem cuidada? O palavrão que quero dizer agora não caberia nessa página. Minha tia morreu, minha avó quase foi junto. Veio a gravidez da segunda filha, pela segunda vez a criancinha morreu. Outra gravidez, um aborto! Então chegou minha mãe. Vera. Todos achavam que ela ira morrer como as outras, mas ela foi teimosa e viveu. Tios, primos, avós e os pais a encheram de cuidados achando que a qualquer momento ela pudesse adoecer e morrer como as outras. Não aconteceu e quatro anos mais tarde veio meu tio Eduardo e dois anos depois minha tia Marisa. O que aconteceu de fundamental na história da minha família ente as mortes das outras crianças e o nascimento de minha mãe?
            Vovó não estava bem de saúde e foi ficar na casa dos sogros enquanto meu avô viajava a negócios. Seu irmão mais novo, que havia ficado em outra cidade na casa dos meus bisavós pegou uma espingarda para brincar. Ele tinha oito anos. Apontou para todos os lados e a arma não disparou. Inconformado, tentou olhar dentro do cano para ver se estava entupido e sem querer bateu a arma no chão enquanto fazia isso. O tiro acertou seu olho e ele morreu na hora. A notícia chegou aos ouvidos de meu avô que correu para casa para contar ele mesmo a minha avó, Maisa. Ninguém sabia, na casa onde ela estava, do que tinha acontecido. Minha tia avó, cunhada de vovó maisa, conta que ela passou o dia inteiro angustiada, querendo meu avô. Quando o cavalo dele apareceu na porteira da fazenda, ela perdeu os sentidos. Falou em francês, em inglês (assim eles disseram, é muito provável que tenha sido outro idioma... alguma língua que eles não entendiam). Quando meu avô finalmente alcançou a casa grande, ela olhou para ele totalmente lúcida e disse:
- O que aconteceu?
- Nada, esta tudo bem.
- Você esta vindo da casa dos meus pais? Aconteceu alguma coisa?
- Não, estão todos bem.
- Mentira! Frederico estava brincando com a espingarda de papai, pensou que estivesse entupida, olhou dento do cano e ela disparou. Ele morreu, eu sei.
            Dizendo isso, perdeu os sentidos novamente e só acordou no dia seguinte. Minha bisavó, a que já mencionei, vendo isso achou que a nora estivesse possuída pelo demônio. Assim que vovó acordou as duas conversaram e depois de uma semana de debates e de leituras da Bíblia vovó finalmente começou a acreditar que tudo aquilo fazia sentido. Ela se converteu de verdade. Virou uma crente fiel, muito mais do que o próprio marido que vivia em conflito por causa da sua “natureza carnal”. Quando mamãe nasceu, primeira filha depois da conversão, virou uma prova de fé, um testemunho vivo. A expectativa em torno dela era muito grande. Se ela viver é a recompensa de Deus por minha avó ter se convertido e a prova de que as outras mortes aconteceram por causa da vida sem Deus. Se minha mãe morresse Deus, religião, fé, Bíblia, tudo isso era bobagem. Mamãe e os outros dois viveram. Foram criados na igreja evangélica.
            Dona Vera era extremamente inteligente. Desde pequena chorava para ir para escola. Quando finalmente chegou a hora mostrou que o mundo das letras era o seu lugar. Pensando bem, acho que minha mãe, assim como eu, sentia o peso de ser o presente de Deus. Nos duas somos muito parecidas. Eu tenho mias vivencia do que ela, tenho uma carga pesada mais sofrida do que ela na minha idade. Mamãe desde criança, escrevia poemas, contos, era primeira de sala e muito mimada. Ale, de ser linda e engraçada. Tinha um senso de humor irônico e perspicaz. Era espirituosa. Quando se formou no ginásio, conta que recebeu uma medalha numa cerimônia de formatura pomposa, no colégio batista do Rio de Janeiro e na hora em que os melhores graduandos estavam lá na frente, alguém atentou para o fato de que as medalhas dela e de outra menina haviam sido trocadas, então o paraninfo, foi até ela e tirou-lhe a medalha do peito. Anos mais tarde ela me contou que naquele momento viu a si própria sem o seio, como se estivesse sendo arrancado dela. Mamãe perdeu esse mesmo seio aos quarenta, logo depois do nascimento de seu terceiro filho. O que foi isso? Uma premonição talvez? Ou será que sem querer a partir daquele momento ela selou o seu destino? Criou a própria história? E quem nasceu primeiro o ovo ou a galinha? Vai saber? Não estou interessada em levantar nenhuma argumentação filosófica, quero apenas contar um pouco sobre minha família antes de contar a minha história.
            Uma de minhas histórias favoritas sobre ela é de quando tinha quatorze anos. Ela telefonou pra a Rádio Continental dizendo-se escritora e fã de Carlos Heitor Cony. Os dois conversaram pelo telefone algumas vezes e acabaram marcando um encontro. Era um almoço no Tijuca Tênis Clube e ela fez com que minha avó preparasse uma roupa nova, se maquiou toda para parecer mais velha e foi ao encontro dele. Ela contou que de cara, ele riu e perguntou quantos anos ela tinha. “Dezessete!” mentiu. Cony riu muito da petulância dela que ficou furiosa. Ela levantou-se e já ia embora quando ele pediu para que  ficasse e perguntou se ela realmente queria ser escritora ou estava ali por causa dele. “Na verdade, eu nem te acho tão bonito assim...” foi a resposta dela. Ele deu várias dicas sobre como escrever e o que caminho trilhar. O que ler. Para a pirralha aspirante a escritora aquele foi o sonho realizado.
            Era isso o que ela queria da vida. Emancipação, ir além do que a soicedade esperava dela. Não queria ser apenas esposa e dona-de-casa como a escola e a igreja lhe ensinavam, como minha avó era. Queria ser como meu avô. Ir aonde desse na telha, conversar num roda de amigos sobre política, artes o que bem entendesse sem ter ninguém lhe falando que aquilo não ficava bem para uma moça. Isso entrava em conflito com a educação religiosa que ela recebeu. Ser tudo que poderia ser, alcançar tudo que seu potencial lhe permitia era algo impensável naquela época e principalmente naquela família. Minha avó só foi a praia depois dos quarenta porque meu avô não permitia. Minha mãe não aceitava aquilo. Ela e ele brigavam e faziam as pazes e depois brigavam o tempo inteiro. Ela era igual ao meu avô e minha avó amava-a ainda mais por isso.
            Quando meu bisavô morreu, meu avô precisou voltar para o nordeste e tocar os negócios dele por lá. A família foi obrigada a ir. Minha mãe e meus tios não queriam deixar o Rio, mas foram obrigados. Saíram daqui direto para Caruaru. Mamãe tinha uns dezoito anos e já escrevia matérias para a Rádio e algumas revistas aqui no Rio. Para ela, ir morar em Caruaru foi como a morte. Pegar um sonho e enterrar no fundo do baú. Ficou deprimida, amuada, tratava mal as pessoas. Minha tia conheceu um primo e casou-se em seguida. Meu tio, caiu na vida de boêmia que um playboy do Rio de Janeiro recém-chegado num cidade de interior poderia viver. Farras e festa e mais farras. Até que mamãe se interessou pelo jornal local. Minha bisavó era sempre citada pelos seus feitos a comunidade e meu bisavô era adorado como “major”, bem-feitor da cidade. Até hoje, se a gente chegar em alguma casinha do local é provável encontrar um santo de padre Cícero e uma fotinho do Major Bastos num altar improvisado iluminado por velas. Ela conseguiu um emprego no jornal local e a partir daí começou a escrever duras critica ao governo municipal. O prefeito, Eduardo Veras pediu direito de resposta e logo nasceu uma coluna: De Vera a Veras. Todos os domingos as pessoas corriam para ler os jornais e existia até lados. Os a favor de Vera o aqueles a favor de Veras. Meu avô fingia não gostar, ma no fundo se orgulhava. Aos poucos estava de volta ao que amava fazer: escrever. Uma vez que pôs os pés na noite com meu tio, um novo mundo se abriu para ela. Fora da igreja, dona de seu próprio nariz. Mudaram-se para Recife e lá ela começou a trabalhar numa empresa estatal. Começou como secretária executiva e quatro anos depois havia sido promovida a assessora do vice-presidente da empresa. Conta a lenda, e isso não tenho como confirmar, pois é mais uma das histórias que a ouvi contar quando era criança, que estava prestes a ser promovida. Com a promoção viria muito dinheiro e era um cargo de poder, que uma mulher nunca havia assumido antes naquela empresa, quando começaram boatos de que mamãe só teria chegado aonde chegou, por ter dorido com o chefe. Esse comentário, mesquinho e vil a atingiu em cheio. Não pelo comentário em si, mas porque minha bisavó, a mesma que tinha feito minha avó se converter anos atrás, acreditou que aquilo era verdade e passou a trata-la com hostilidade. Doze anos haviam se passado desde que a família viera do Rio para recife. Mamãe não havia escrito um livro ainda, mas havia conseguido a estabilidade e independência financeira que tanto almejava. Agora poderia pensar em se dedicar a carreira de escritora. Quando os boatos ao seu respeito começaram, minha mãe não estava preparada para o tipo de stress que eles geraram. Tia Marisa proibiu a filha de quatro anos de sair sozinha com minha mãe. Isso a magoou profundamente. Um dia no horário de almoço, caminhava deprimida pelas ruas de Recife quando ouviu um hino bastante familiar na vindo de uma igreja batista. Parou na frente e se perguntou se deveria entrar ou não. Acabou entrando e ficou sentada nas últimas cadeiras enquanto o coral da igreja ensaiava. Ai término do ensaio, o pastor veio até onde ela estava e mamãe, quebrantada, contou a ele tudo o que estava acontecendo em sua vida. Ela nunca me disse exatamente o que o pastor havia lhe falado. Uma coisa é certa. Dona Vera tinha dois grandes sonhos: ser escritora, como já falei e ser mãe. Levantou-se da igreja revigorada e decidida a mudar de vida.
            Antes de continuar a história, quero dizer uma coisa. Não sou contra a fé. Também não sou do tipo que abomina religião. Sou cristã, acredito em Jesus Cristo como meu salvador pessoal. Acredito que a minha vida, até onde pode ser, foi planejada por Ele. Não tenho vergonha em dizer isso. O que não me agrada é a fé cega que algumas pessoas tem e a convicção de que todos os seus desejos devem ser subjugados em prol da salvação da alma. Acredito que uma pessoa posa ser bem-sucedida, ter dinheiro e ter Deus no coração da mesma maneira que uma pobre viúva que entrega as suas últimas moedas no altar. Creio que é Deus quem dota o nosso ser de qualidades e dons distintos e quer nos ver sermos bem-sucedidos com os talentos que ele nos dá. Se o talento dela era escrever, então que continuasse escrevendo até seus dedos formarem calos de sangue pois assim teria sido feliz!
            Continuando, não sei o que esse pastor disse a minha mãe, mas seja lá o que for que ele tenha dito ela saiu de lá com o destino traçado. Pediu demissão do emprego, ignorando as súplicas do chefe e de sua esposa e inscreveu-se no Seminário Batista do Norte no curso de teologia. Queria servir a Deus e ser mãe. Nesse ponto tenho que admitir que foi preciso coragem. Ela nunca me explicou o que a fez tomar uma decisão tão radical, mas dizia não ter se arrependido. Foi no seminário, no primeiro ano em que conheceu meu pai.
            Papai era filho de um humilde agricultor e uma dona de casa. Ao contrário de mamãe, não pode estudar. Desde muito pequeno, começou a trabalhar com meu avô na roça. Meu tio me contou que ele era bastante teimoso. Quando o pai pedia para que fizesse algo e ele não queria fazer, corria para o mato e se escondia durante dias, se fosse necessário. Minha avó levava a comida no final do dia e ele só voltava para casa com a promessa de que o pai não bateria nele de cinta pela desobediência. Meu avô Bernardo, era um homem de fé. O único evangélico da cidadezinha que morava, não se importava em ser chamado de “bode” e outras coisas parecidas. A cidade inteira era católica e eu não sei ao certo em que ponto de sua vida ele se tornou evangélico, ou se sempre foi. Minha avó era índia e sabia ler e escrever. Ele não. Ela lia a Bíblia para ele. Anos mais tarde quando ela ficou cega por causa da catarata ele já havia decorado o que havia escrito em cada página da Bíblia surrada. Tenho muito carinho pelo meu avô. Não sei se o verei novamente nessa vida, mas as poucas lembranças que tenho dele são muito marcantes.
            Papai cresceu e mudou-se para Recife. Tentou a vida como ajudante de pedreiro, entregador, passou fome e voltou para casa e para a igreja. Fez supletivo de primeiro e segundo grau sem nunca ter freqüentado aula alguma e passou de primeira. Fez um curso de auxiliar de enfermagem e arranjou um emprego no necrotério de um hospital público em Recife. Atendeu aos apelos dos membros da igreja que freqüentava e do pastor seu amigo, se inscreveu no curso de teologia onde conheceu minha mãe.
            Não foi amor a primeira vista. Acho que para ser sincera não foi amor de forma alguma que uniu os dois. Minha mãe queria casar para ter filhos. Estava com 33 anos e naquela época, 1976, era muito para uma mulher ser solteira. Papai ficou envaidecido por uma mulher como ela se interessar por ele. Uniram o útil ao agradável e depois de um curto namoro de três meses resolveram casar. Um ano depois eu nasci. Olhando as fotos de antigamente, só lembro de ter visto minha mãe tão feliz e serena quando me teve em seus braços. O amor uterino me envolve até hoje. Sinto uma camada de proteção e aconchego que não se esgotam nunca. Haja o que houver eu posso senti-la em tudo. Nossa cumplicidade foi muito grande. Dois anos depois que nasci, veio meu irmão Fernando, a pessoa que mais me conhece nessa vida, e dois anos depois de Fernando veio Ricardo. Eu me sinto meio mãezona dos dois, principalmente de Ricardo pois eu ajudei a dar banho, a dar comida, tomava conta quando era bebê e depois por toda a vida.
            Quando Ricardo nasceu os problemas financeiros já haviam tomado conta de nossas vidas. Salário de Pastor honesto é pouco, principalmente de Pastor de uma vila de pescadores, onde meu pai foi designado a servir. Três filhos pequenos e minha mãe aos 37 anos descobriu que tinha um câncer de mama. Tirou todo o seio esquerdo. Perdeu o cabelo com a quimioterapia. Quando voltou para casa, era eu que aos cinco anos fazia o curativo em seu peito e lia para ela dormir. Quanto mais problemas tínhamos, mais os dois se apegavam a religião. Até que minha mãe, linda, inteligente, espirituosa estava completamente encurvada pelo jugo da religiosidade. Por isso me ensinava coisas como, só vai namorar depois dos dezesseis, é preciso ser crente para estar salvo e outras tolices do tipo. Nessa mesma época papai perdeu o emprego na igreja e ficaram os dois sem trabalhar. Quem sustentava a casa era o meu avô, que a essa altura já estava muito doente, diabético. Mudamos para uma casa de praia da minha tia, pois assim não teríamos que pagar o aluguel. O lugar era péssimo, aparecia cobra, rato, escorpião, ladrão e tudo mais. Não era asfaltado e quando chovia alagava tudo. Papai adoeceu e quase ficou aleijado com uma hérnia na coluna e meu avô morreu. O melhor amigo da minha mãe não estava mais conosco. Ela desabou. Ficamos numa situação muito ruim. Hoje, com meu filho pequeno dormindo no quarto ao lado, não consigo me colocar no lugar dela sem que meu coração se aflija muitíssimo. Três filhos pequenos, sem dinheiro e doente. Morávamos nos seis, papai mamãe, meus irmãos e vovó Maisa. Eu tinha sete anos quando meu avô morreu e sabia exatamente o que estava acontecendo em nossa família. Faltava dinheiro e mamãe não podia ficar sem seus remédios, se não poderia morrer.
            Nesse ponto quero falar do que acredito ser a verdadeira religião. Como disse antes, não condeno a fé evangélica, não gosto e não creio que Deus esteja presente no legalismo déspota da igreja como uma instituição. Algumas pessoas não se deixam levar por isso e preservam o amor e a caridade como nos tempos em que Jesus andava pela terra. Nessa época eu aprendi a minha primeira lição de caridade. Alguém, ou algumas pessoas, que era mais provável, começaram a deixar cestas na nossa porta. Nunca soubemos quem era, mas a verdade é que quando menos esperávamos, lá estava uma cesta de frutas e dentro dela o remédio da minha mãe. Como era pequena, não tenho noção de quanto tempo ficamos dessa forma. Mas como tudo na vida, graças a Deus essa crise chegou ao fim. Meu pai e minha mãe conseguiram um emprego no IBGE. E nossas vidas estabilizaram.

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