sábado, 3 de março de 2012

Sobre Pesadelos, vasos e ovelhas...

Lucas bebê debruçado na janela do décimo andar de nosso antigo apartamento no Méier. Sem grades de proteção. Ele olha para baixo e cai. Eu começo a gritar desesperadamente quando ouço: “Mamãe! Mamãe!” Dei um salto do sofá e gritei “Aqui!”
- Ei, não sou eu não! Calma! - disse ele sentado na mesinha ao meu lado fazendo a lição de casa. Foi um sonho. Peguei no sono no sofá enquanto ele fazia o dever de matemática. A criança da vizinha ainda gritava pela mãe quando eu acordei.


Sonhos que se repetem. Lucas ainda bebê caindo da janela do décimo andar, o mar avançando em ondas gigantescas, meus irmãos pequenos na beira da praia, minha avó velhinha e eu desesperada sem saber a quem salvar. Vovó, Fernando, Ricardo e Lucas. Vovó já faleceu, Fernando e Ricardo estão casados adultos e tem suas próprias famílias. Lucas esta crescendo rápido... Chegou tristonho da escola. Estava todo animado com a natação, comprou touca de tubarão e óculos com o pai. Falou nisso durante dias e quando chegou a hora não deixaram ele entrar na piscina porque estava sem o atestado médico. Ele voltou para casa muito frustrado e eu me sinto mal porque sabia que tinha que levar o atestado médico, mas ainda não o levei ao consultório. Não aguento ve-lo triste! A vantagem dele sobre mim é que ele não se abate. Brinca com os amigos, com a Pretinha. Estuda. Esquece. “Sabe de uma coisa mãe? No carnaval eles fizerm festinha na piscina todo dia e não pediram atestado. Agora vem com essa besteira! Isso não está certo!” Acho que por isso sonhei com ele caindo da janela... Se fosse real seria minha culpa. Não ter o atestado médico é minha culpa.

Eu sou uma pessoa que foca nas coisas grandes e não tem uma cabeça prática para as coisas pequenas. Eu sei planejar, esquematizar, traçar uma rota do plausivel ao impossível, mas esqueço de pagar uma conta. Já briguei várias vezes com o cara da Light porque ele vem cortar a luz e eu teimo que a conta esta paga, mas quando telefono para o Disk Light vejo que tem uma conta de 3 meses atrás que não foi paga e eu nem sabia. Ai tenho que correr para pagar e ver se ainda religam no mesmo dia. Mas sendo mãe, aprendi e coloquei em debito automático. Antigamente eu ia para a cozinha e fazia pratos exóticos, hoje em dia cozinho feijão, arroz, carne, legumes. Antes não comprava frutas, agora tenho um verdadeiro pomar dentro da minha casa. Aprendi matemática para poder ensina-lo... De vez em quando pego o telefone e ligo para um dos meus irmãos quando o probema esta além das minhas capacidades. Não sei porque eu cismei que se ele guardasse o pipi para baixo ia entortar. Falei para o meu irmão e ele disse “Lucas, guarde para onde você quiser que não vai entortar não... Sua mãe is crazy” (hahaha) Eu não tenho um! Como vou saber? Lembro da minha avó mandando eles guardarem para cima. Achei que fazia sentido! Enfim... ele guarda onde quiser, não me meto mais nisso. (risos)

Fico olhando o placar de visualizações ali ao lado subindo... subindo... e fico preocupada. Até um pouco timida. Não sei porque coloquei esta shit. Serve para me mostrar que tem gente lendo. No começo foi legal,mas agora fico preocupada com quem pode estar lendo o que. Lucas voltou da casa do pai dele e me perguntou se eu tinha falado para o pai que sai do emprego. “Ué mas ele falou sua mãe saiu do emprego né?”
Eu escrevi isto aqui. Não me importo que as pessoas saibam das minhas decisões, da direção que dou a minha vida. Não era segredo. Só que outras coisas são muito pessoais. Quando estou triste... Quando estou commeu coração partido... Os inimigos se alegram! Os tambores tocam! (rsrsrs) Tudo bem... Não tenho medo do que me possa fazer o homem. Só temo passar despercebida.

Esta semana volto a dar aulas. Que mês horrível foi esse sem meus bebês!!

Ontem, conversando com Leandro, comecei a me queixar de algumas coisas e ele me disse, “Calma, calma... As coisas já estão melhorando. Já estão mudando.” Eu gosto quando ele me diz isso. Me tranquiliza. E eu agradeço a Deus na mesma hora. Talvez a lentidão com que elas mudam estejam ligadas a maneira com que eu aprendo a confiar em Deus. Meu antigo Pastor uma vez falou sobre isso e me marcou muito. Ele disse que em todo o tempo na Bíblia, o povo de Deus é comparado a vasos e a ovelhas. Então ele falou sobre como o oleiro pisa o barro, mexe, esmaga, molda, coloca no forno para que ele fique perfeito. E quanto mais fino o vaso mais trabalhoso é o processo. Misericórdia! Se for isso mesmo eu estou destinada a mesa de reis!! (hahaha) Porque haja sofrimento... Outro dia encontrei um amigo da faculdade que não via há séculos e ele me perguntou onde estavam as minhas chagas porque parecia a história de Jó! (risos)

Divaguei...


 
O Pastor falou também sobre as ovelhas. Que quando pequenas, se uma ovelha é muito obstinada e esta sempre se afastando do rebanho, o pastor de ovelhas quebra suas pernas, coloca ataduras e passa a carrega-la nos ombros. Desta maneira quando a perna sarar ela estara habituada a segui-lo por onde ele for e nunca se afastar. Parece cruel, né? Mas pensando bem, analisando os perigos que ela enfrentaria se afastando do rebanho. Obediencia é um preço pequeno a se pagar. E uma quebradinha de pernas as vezes significa cuidado e amor. Acho que Deus não quebrou meus ossos não... Ele fez igualzinho ao que o Professor Gilderoy fez com Harry potter na Câmara Secreta: ele tirou os ossos do meu corpo. Virei uma boneca de pano. Mas ainda assim me debati e lutei para caramba! Obstinada. Teimosa. Tinha mania de agir por impulso e quando algo dava errado era o fim do mundo porque nunca achava que Deus estivesse perto o bastante para interferir. Sem fé. Só confiava na minha própria força. Hoje eu sei que sou a mais fraca das criaturas, mas Nele eu sou forte.

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