quarta-feira, 21 de março de 2012

Sobre medo e o Idioma que falo sem ter aprendido...

A ultima casa em que moramos antes de mamãe morrer era um duplex de três quartos com duas salas imensas, uma varanda enorme e um corredor comprido atrás da cozinha que dava num quartinho de empregada que meu pai transformou em escritório. Eu adorava aquela casa. Às vezes sonho que estou morando nela de novo. A única queixa da minha mãe sobre o local era que havia uma única porta de entrada e era pela cozinha. Meu Pai então mandou fazer uma estante de livros como divisória da cozinha e do hall de entrada. Muitas vezes as visitas chegavam e me encontravam sentada a porta lendo alguns dos exemplares que haviam ali.


Quando minha mãe já estava muito fraca, minha tia costumava passar e levava meus dois irmãos para a casa dela. Ficavam o final de semana inteiro por lá tomando banho de piscina ou então iam para a chácara. Eu gostava de ficar com mamãe, papai e vovó. Minha avó estava sempre atarefada com a cozinha ou limpeza da casa. Mamãe conversava bastante comigo, mas as vezes pegava no sono e eu ficava acordada. A noite, quando vovó dormia e mamãe também eu tinha um gigante para enfrentar: O corredor da área de serviço que era imenso e escuro, mas no final me levaria ao escritório do meu pai que estava la com a luz acesa preparando os sermões de domingo. Eu costumava ascender a luz da cozinha e gritar "Pai vem me buscar." Ele aparecia na porta e eu saia correndo. É pessoas, eu sempre fui a grande medrosa. Toda vez que eu ia atravessar aquele corredor a impressão que eu tinha era que ele esticava igualzinho aquela cena de Poltergeist o Fenomeno. Então uma noite eu fui até a porta da cozinha e chamei pelo meu pai, ele não respondeu. E o inesperado aconteceu. A luz da cozinha queimou e eu me vi totalmente no escuro, o único ponto de luz vinha do escritório de papai. Sai correndo atravessando o corredor certa de que monstros me perseguiam e quando entrei no escritório dele la estava meu pai de olhos fechados, joelhos no chão e mãos para o céu falando uma língua que eu só tinha ouvido uma vez em uma igreja pentecostal que me assustou muito. Meu medo foi maior que escuridão porque havia uma presença sobrenatural ali dentro. Corri tremendo para a cama da minha mãe que acordou com meu pulo e me perguntou o que havia de errado. "Papai, ta falando em língua estranha!" Respondi.
Não sabia que ter contado aquilo a minha mãe causaria tamanho estrago entre os dois. Ela queria aquilo. Desejava aquela experiência com todas as forças, mas para o meu pai veio fácil.

Para quem não entende o que estou falando, ou para aqueles que só fazem uma idéia porque viram os vídeos do Pastor Metralhadora do Partoba (eu tmb vejo), o que é falar em línguas? É um dom que é dado para as pessoas que recebem o Espírito Santo em que suas orações são feitas em um idioma que é entendido apenas pelo Criador. Claro, existe muita histeria, fingimento, mas existe a experiência genuína. No novo testamento, Paulo dizia para as pessoas pararem de gritarias e que se alguém falassem em línguas estranhas mas não pudesse traduzir falasse em casa. É um dom que beneficia apenas quem o possui, diferentemente dos outros que servem para ajudar o próximo. É o menor dos dons. Então porque causa tanta correria para adquiri-lo? Porque é sobrenatural. As pessoas estão sedentas de sobrenaturalidade. Eu nunca o quis. Sempre pedi a Deus dom de fé. Línguas? Deus me livre! kkk Eu dizia isso.

Então uma tarde, já no Rio de Janeiro, separada, falida, desempregada. Tinha acabado meu relacionamento com César recentemente. Estava muito mal e entristecida. Ouvi na rádio que um Pregador alemão, Reinhard Bonke, estaria fazendo uma série de palestras naquele HALL que vive mudando de nome lá no Via Parque na Barra. Levantei Lucas e disse, vamos embora. Havia a mesma atmosfera sobrenatural no lugar, mas eu já perdi o medo disso há muito tempo. Eles tinham salinhas para as crianças com brincadeiras, mas Lucas não quis sair de perto de mim. Então o alemão entrou para pregar. Gente, como ele fala bem. Não é retrogrado, burro, com uma lista de regras de não pode. Pelo contrário, falou da graça de Deus. De como Jesus morreu na cruz para que fossemos livres neste mundo também. Que não podemos viver aguardando a ida para o céu ou inferno depois da morte. E que essa experiência é que deve ser passada adiante para que o mundo inteiro a conheça. Depois ele disse que muitas das pessoas que estavam ali eram cristãs desde que nasceram e que não haviam experimentado o poder do Espírito Santo. Euzinha. Mas tudo bem... não preciso experimentar o poder não... (a medrosa falando). Ele disse que ninguém sairia dali sem ter tido esta experiência. Meu coração tremeu. Meu medo agora era outro: E se todo mundo passar pela experiência e eu não? Minha fé seria destruída na hora. A minha razão diria que era histeria coletiva e que os dons do Espirito Santo não existem. Tremi. "Senhor, eu preciso disso... Eu preciso saber se é verdade." No final da pregação, no fim do dia. Ele orou, estávamos todos tão certos de quem eramos. Pelo menos a minha sensação era essa um alto preço foi pago por mim. Foi a primeira vez que me conscientizei disso. Eu fui comprada pelo sangue de Cristo na cruz, nada pode me tocar que não venha Dele. Lembro que eu estava dizendo, "Obrigada, Senhor, te amo Senhor..."
E no mesmo momento começou sair da minha boca palavras que eu não conhecia, e não inventei. Lá na frente e ao meu redor pessoas falavam a mesma coisa que eu estava falando quem nos ensinou? E não, não foi transe eu estava plenamente consciente de tudo ao meu redor, Lucas de joelhos brincando com o carrinho, falando comigo e eu respondia em português mas depois voltava a falar em línguas estranhas, como meu pai. Lucas ficou me olhando e disse, "Mãe, como você consegue fazer isso?" Nem eu sei... Porque como professora de inglês e observadora de fonética minha língua dobra em grau que eu sozinha jamais teria pensado em fazer. E depois daquilo,senti um revestimento. Passei uns 3 meses sem sofrer com nada. Vocês sabem o que é isso? Para algue´m que sente tudo com tamanha força, eu não sentia nada alem de amor pelas pessoas. Não chorei por 3 meses. Ao longo dos anos que vieram depois, esse revestimento esta disponível a mim todas as vezes em que clamo. Ano passado quando a coisa apertou financeiramente e em uma das minhas brigas com o Rei bateu uma tristeza e eu estava na minha cama desliguei o rádio, TV, não queria saber de nada só de ficar deitada, ouvi a mesma voz "Stella esta chorando..." A voz é dentro de mim. Veio uma força, uma calma um alívio. "Não feche a porta para a Palavra..." Liguei o rádio ouvi umas mensagens, depois li a Palavra e era nova pessoa.


Nem só de pão viverá o Homem mas de toda palavra que sai da boca de Deus. Esta Palavra é alimento. A presença Dele é alimento. Quando eu estou mais confusa, mais agitada é porque o dia a dia me fez perder o foco, quando estou mais calma é porque estou alimentada. Isso vocês podem ver pelos meus textos.

Não tenho medo de ser julgada. Se falo dessas experiências que a maioria esconderia é porque eu sei que tem alguém lendo este texto agora a quem Deus quer tocar e atrair para Si. Sinto, o poder, nas minhas mãos e no meu coração.

Uma amiga de infância me falou um tempo atrás, "Stellinha você é a prova mais viva que eu tenho da graça de Deus." Porque ela disse isso? Porque da nossa turma de mocidade eu sou a única que se divorciou, que fez escolhas erradas, que caiu quebrou a cara e Deus levantou. Em outros tempos teria me sentido ofendida, mas hoje em dia sempre que estou fraca me lembro disso. Deus não quer nos tornar religiosos, robozinhos metidos a santos apontando os defeitos dos outros. Ele sabe de nossas falhas sabe onde ainda caíremos, mas já providenciou uma solução: o sangue derramado. Ele me cobre e me justifica, me põe do lado do maior santinho do pau oco e me torna mais pura do que ele.




Logo depois do divórcio conversando com minha melhor amiga, ouvi-a dizer: "A Bíblia diz que a mulher sábia edifica sua casa a tola derruba com as próprias mãos..." tentando justificar tudo de ruim que aconteceu comigo. Aquilo doeu. Depois de um tempo, percebi que ela estava com medo. Medo de passar pelo que eu passei, medo por talvez, estar desejando ser livre mais uma vez. Frustração por não ter coragem, por achar que Deus a castigaria se ela sequer pensasse em divórcio. Eu sei, já senti tudo isso, mas a Graça de Deus me mostra que não há erro que eu possa cometer que faça o amor Dele por mim diminuir. E que apesar da Bíblia ser um livro de regras, nos somos seres únicos. Ninguém possui a minha digital, eu sou a única Stella que viveu neste mundo e Deus lida comigo individualmente sim. Então, podemos viver pelas regras coletivas que foram impressas na Bíblia para que tenhamos uma vida pacifica, mas se queremos entender quem somos e qual a nossa missão nesse mundo temos que nos achegar a Ele e perguntar e agora? E nos preparar porque a resposta pode estar num caminho à margem do que é considerado NORMAL.

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