"Mãe! Mãe! Para de orar... O povo vai pensar que você é doida fica falando sozinha que coisa!"
Tenho feito isso de uns tempos para cá. É natural para mim o sobrenatural. Quando ele disse isso estavamos em uma lanchonete repleta de gente. Lógico que eu não estava falando alto, só movia os lábios. Aquilo foi o suficiente para incomoda-lo. "Quando chegar em casa agente ora..." Só que tem momentos em que não dá... A angústia é tão grande que transborda da alma em forma de oração. O momento era aquele.
Então chegamos em casa e eu vou preparar a cama, colocar comida pra Pretinha, preparar a mochila dele para a aula de amanhã e coloca-lo na cama. As obrigações me trazem de volta ao mundo real e esmagam ainda mais o meu coração aflito. Então olho para o meu filhote e ele esta de olhos fechados e mãos juntas falando com Deus. Depois de algum tempo olha para mim e diz: "Pronto, orei, agora não se preocupa que tudo vai dar certo. Pensa em outra coisa..."
Coisa linda!
A fé dele é bem maior do que a minha.
Sempre ensinei que ele podia confiar em Deus e ele confia. Algumas vezes cheguei a me assustar com o que a confiança dele fazia.
Lembro-me que um dia fomos ao shopping, entrei na Saraiva para procurar um livro e ele ficou brincando na seção de livros infantis. Estava com o Super-Homem visão de raio X nas mãos. Ele até dormia com aquele boneco. Era mais ou menos meio-dia quando chamei para ir embora. Deixou o boneco em cima da mesa das crianças e só percebeu quando chegou em casa. Nossa... Partiu meu coração. Chorou demais. Pediu para que eu voltasse mas estava atrasada para o trabalho, então eu disse, "Filho, ora. Depois da escola a babá te leva lá para buscar." Ele fez isso. E eu me arrependi de ter dado esse conselho porque a loja era imensa, haviam varias crianças por lá e com certeza alguma já devia ter pego. Lá pelas dez da noite, quando voltei do trabalho, estava preparada para encontra-lo chorando mas assim que abri a porta ele estava sentado no sofá com o super-homem nas mãos. Eu fiz uma festa! "Você consegiu!" E ele olhou para mim surpreso e disse, "Ué... claro que consegui. Eu pedi a Papai do Céu..."
Depois a babá me falou que só teve tempo de voltar com ele na loja Às 18:00 depois de busca-lo na escola e que assim que ela entrou procurou um vendedor e ele informou que havia encontrado na mesa e guardou atrás do balcão. Ainda falou que a sorte foi as crianças não terem visto primeiro.
Sorte? Resposta de oração? Fé? Não sei...
Algumas vezes queria que minha fé fosse igual a dele.

Nenhum comentário:
Postar um comentário