Eu andava de um lado para o outro pelo apartamento com paredes sujas e queimadas. Lucas não comia, nem bebia nada desde As 20:00 do dia anterior . Ja eram duas e meia da tarde e ele vomitava e defecava água. Chovia muito lá fora a febre não baixava. Eu não tinha nada, nenhum tipo de medicamento em casa e já havia batido na porta de todos só vizinhos que ainda falavam comigo no prédio, mas nenhum estava em casa. Era um dos muitos feriadões que temos no ano. Estavam todos viajando. Eu não tinha mais móveis na sala, havia vendido tudo para poder comprar comida e como estava muito frio, forrei um papelão no chão, coloquei umas almofadas e deixei ele deitadinho perto da televisão. Saí de perto por um instante e chorei muito. Não tinha remédio, dinheiro para táxi e chovia lá fora. Meu filho estava verde e com muita febre. Não tinha telefone, amigos por perto nem família. Liguei a cobrar para o pai dele várias vezes, ele não atendia e por fim desligou o celular. “Senhor, eu preciso de um milagre!” orei. Então uma voz dentro de mim falou, “Põe as mãos nele e ora!” Achei estupidez. Fiquei sinceramente constrangida, mas então ele vomitou mais uma vez e dessa vez nem ao menos choramingou. Então eu sentei ao lado do meu filho em coloquei as mãos em seu peito e disse, “Senhor, estou sozinha. Não temos mais ninguém além de Ti e sei que é o suficiente. No nome de Jesus cura meu filho!” Demorou alguns minutos. Talvez dez ou quinze, não sei ao certo. Fiquei sentada com as mãos no peito dele esperando que o próximo vômito viesse, mas em vez disso ele ficou quietinho. Primeiro tirou minha mão do peito, sentou no chão e pediu água. Corri até a cozinha e peguei um copo não muito cheio porque todas as vezes que ele tentou beber água vomitou. Ele estendeu as mãozinhas fracas levou o copo à boca e bebeu tudo de um gole, depois pediu mais. Bebeu três grandes copos sem vomitar nem um pouquinho e então falou, “Mãe to com fome!” Fiz um prato de purê com carne moída e levei até a sala onde ele devorou rapidinho, deitou e dormiu. Acordou duas horas depois, tomou banho, assistiu Tv e nunca mais ficou doente de novo. Isso aconteceu quando ele tinha 4 anos de idade, hoje esta com quase oito. Todos os dias eu agradeço, pois sei, que Deus estava comigo ali naquela sala vazia. Ele manifestou seu poder para uma mãe desesperada e incrédula que não tinha outra opção a não ser orar por intervenção divina.
Como eu cheguei aquele ponto? Que rumo maluco minha vida havia tomado ao ponto de me deixar absolutamente só, sem nada morando sozinha num apartamento devastado pelo fogo.
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