Depois de 3 horas de trocas de mensagens ininterruptas. Estou aos prantos. Meu celular toca. Número que desconheço. Atendo e reconheço a voz dele do outro lado. "Não posso falar com você agora, me deixa quieta!" Desligo com raiva de mim mesma porque ele me ouviu chorar. Dez minutos mais tarde liga mais uma vez. Atendi tentando controlar o choro. Ele me pergunta o que tenho, digo que estou com muita dor de estomago (verdade) e ele insiste mas é por isso que você está chorando? E então, tenho aquela sensação estúpida de que não adianta mentir, as coisas não podem piorar mais... Confesso que não é só isso.
- Me fala o que está acontecendo. Eu preciso saber o que você está sentindo, o que você está pensando...
- Eu não quero falar...
- Você quer que eu me afaste? Você quer dar tempo ao tempo, levar as coisas mais devagar?
(Se ele estivesse na minha frente eu teria jogado o celular na cabeça dele. Levar as coisa mais devagar??? Meu Deus!!)
- Não!! Não!!! Meu Deus... inacreditável!
- É inacreditável porque você não fala o que esta sentindo e eu fico aqui do outro lado sem saber o que pensar.
- Você fica comigo, quando eu penso que está tudo bem, você me escreve dizendo que não quer mais me ver. Some e depois de duas semanas me procura de novo, dizendo que o futuro a Deus pertence... Some... depois me chama para almoçar e agora estamos trocando mensagens e nos falando todos os dias desde sábado, mas você não diz nada...
- Pois é e já estamos brigando...
-Estamos brigando porque existe algo mal resolvido entre nós dois. Eu quero uma coisa e você quer outra.
- Então me fala o que você quer. Fala o que você esta sentindo...
-De novo? Para que eu tenho que falar se eu já sei o que vai acontecer, você ouve me afasta, me repele e depois de duas semanas estamos aqui de novo...
- Não... não é assim... Eu preciso saber o que você esta sentindo.
(Como se as minhas lágrimas e tudo que eu já estava falando nesse diálogo já não dissessem exatamente o que eu estava sentindo...)
- Olha, eu não tenho condições de falar agora. Vou esfriar a cabeça... deixa que eu te procuro e falo com calma... - Ele fica calado e eu desligo. Mais tarde, bem mais tarde eu o procuro. Peço que me prometa não dizer nada só ouça e que set tiver algo para me falar me procure pessoalmente. Ele concorda com os termos. Indo contra todo meu bom-senso e conselho de amigos eu abro meu coração... "Sinto sua falta... Você não nos deu uma chance... amo você..."
E o que ele faz?
Fica calado.
Não me procura.
Fala de banalidades alguns dias depois e nada mais...
E eu pergunto a mim mesma: Por que raios pediu tanto para que eu falasse? Talvez tivesse a esperança de me ouvir dizer: "Estou com tesão vem aqui me comer sem compromisso!"
Ou talvez seja sádico e goste de me fazer sofrer só por diversão. Nessas horas a tendencia é pensar na pior das hipóteses, não é?
Ou talvez... só talvez... seja um medroso de marca maior.

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